Exposição de fotos – Mi Erpanhol es muy fueda

29 set

 

Leo Masliah

13 mar

Parece que esse lance de brasileiro gravar música de uruguaio é mais comum do que se imagina. O mesmo aconteceu com Leo Masliah, cantor, poeta, músico e que possui letras super inteligentes e bem bhumoradas. 

A minha indicação de Leo Masliah é uma animação em cima de um poema dele que é super fofo.

E  para finalizar minha viagem pro Uruguai com chave de ouro, indico a música Biromes y Servilletas a letra desta canção é uma gostosura de se ler e ouvir. Há uma versão do Milton Nascimento que se chama Guardanapos de papel.

Uruguai: muros que falam, lixeiras que berram

12 mar

E claro que não poderia deixar de trazer minhas impressões e olhares sobre as intervenções urbanas de Montevideo. Tive pouco tempo para caminhar por aqui e para piorar minha situação, ainda fiquei com febre e tive que descansar um dia inteiro.

Pero bueno, para minha sorte consegui encontrar um livro muito lindo de Mariana Berta, fotógrafa e musicista que durante quatro anos registrou os grafites de Montevideo. Como as fotos são do começo dos anos 90, isso me dá algumas dicas para entender a história do local. 

Mas de maneira geral parece que essa “cidade cinza” traz grafites e stencils bastante modernos e trazem um humor visceral. Não é apenas o estético pelo estético e a pixação acaba ganhando outro objetivo, mais político e crítico.

Alguns são simplesmente G.E.N.I.A.I.S. e trazem umas marcas de diálogo entre o local e o desenho que me fariam ficar horas e horas apenas observando o ambiente para ver a reação das pessoas com essas intervenções como essa da Bíblia.

Pronto. Fez minha viagem mais feliz.



Um país com o nome de um rio

12 mar

 “Mas essa cidade é cinza”, lamentou um senhor que trabalha na banca de revista no centro da cidade de Montevideo, Uruguai. A conversa começou quando percebeu meu sotaque estrangeiro e quis saber de onde eu era. Quando soube que era brasileira logo foi se aproximando e querendo saber o que eu –  vinda de uma “cidade alegre” como ele gostava de se referir ao Brasil –  fazia naquela cidade gris.

 O comentário deste senhor cuja foto abre esse post me traz alguns imaginários sociais que estão bem marcados quando se pensa neste país que é o menor dentro do continente sul-americano e fica entre os dois maiores: Brasil e Argentina. Não foi a primeira vez que conversando com essas pessoas da cidade escuto relatos de monotonia e solidão. Alguns até acreditam que o país dá as costas para o mar.

A concorrência é desleal e isso faz com que os uruguaios olhem para o norte. E assim entendo Jorge Drexler na canção Un país con el nombrel del rio quando canta: Un sueño y un pasaporte como las aves buscamos el norte (Um sonho e um passaporte como as aves procuram o norte).

Conheci Drexler em 2003, através de uma amiga também do Uruguai, que me apresentou a esse músico que possui a singela timidez de um bom uruguaio que sabe cantar a solidão sem ser brega ou clichê. Drexler se tornou mais conhecido depois de ganhar o Oscar como melhor trilha no filme “Diários de Motocicleta”. Uma curiosidade, a música Al otro lado del río não pode ser cantada pelo autor durante o evento porque os organizadores argumentam que ele não era muito conhecido e daí deram a música para o espanhol Antonio Banderas e o guitarrista Carlos Santana apresentarem durante a cerimônia. No entanto, ao receber o prêmio, ao invês do clássico discurso,  Jorge entona a voz e canta a música. No Brasil, ele se tornou mais conhecido ainda quando foi convidado para gravar a música  A idade do céu com Paulinho Moska e Zelia Duncan.

Acompanho Drexler há algum tempo e não poderia deixar de sugerir outras músicas como Disneylandia gravada com Arnaldo Antunes ou 12 Segundos de Oscuridad cujo título veio numa noite em que o cantor estava numa praia observando um farol que piscava a cada doze segundos. Daí lhe veio a metáfora do farol como entidade guia, que precisa de um lapso de escuridão para acabar de entender as coisas, de guiar.

Lindo,né! Por essas e outras que pra mim, Uruguai não é cinza. É azul como o Rio da Prata que  a separa da cidade vizinha Argentina. É azul como o time de futebol do país. É azul como Drexler.

new hair freak hair

12 mar

Cabelo novo à moda latino-americana. Nesta viagem nunca ví tantos jovens usando moicano e resolvi aderir à moda.

Cubana afrançesada

11 mar

Os uruguaios que me perdoem. Mas não há nada mais argentino do que um uruguaio e não há nada mais urugaio do que um argentino.

Além do “yeísmo” (para entender o que é, leia o texto Yeísmo: uma (r)evolução linguistica) que marca fortemente a fala de ambos. Ainda rola um ode ao antigo, ao velho, saudade do que o local já foi e do que representava. Além disso, em Montevideo é bem comum encontrar carros bem antigos perambulando pela cidade e alguns até abandonados.

 Daí a impressão que tanto Uruguai como Argentina se pareçam com uma certa cubana afrançesada a partir do momento que se mistura os prédios e monumentos característicos da cultura francesa com a utilização de veículos antigos, dos anos 70 ou 80. Pense que mais louco ainda isso se torna quando se mescla com imagens de grafites ao fundo ou outros elementos contemporâneo.

Uruguai: Portunhol em quatro meses

11 mar

Um fio de terra é o necessário

Antes de vim pro Uruguai já estava sentindo que essa viagem seria um pouco diferente dos outros paises. Não só porque Montevideo é pequena comparada com Santiago e Buenos Aires. Mas também pelo próprio ritmo da cidade que acaba sendo mais provinciana, menos caótico, mais tímida e menos metrópole. Ainda mais porque o local onde estou hospedada é bem perto do mar e isso me força a ter uma outra relação com a cidade. 

Foto clássica, brega e clichê. Única maneira de obter fotos minhas nos locais

È bastante recente que a capital tenha se dado conta de que pode ser um local turístico. Uns colegas que moram por aqui contaram que coisas básicas como produzir um mapa com alguns pontos mais simbólicos da cidade é algo novo por aqui.

Dia desses passei por uma situação bem complicada quando descobri que meus cartões internacionais não eram aceitos em alguns caixa eletrônicos. Eu conseguia fazer compras com eles mas não sacava dinheiro e isso começou a me preocupar bastante e acabei gastando grande parte do meu dia pra tentar descobrir qual caixa aceitava esses cartões.

Fui em uns 3 bancos diferentes, lojas de cambios e pontos de informação turística. Até que consegui sacar moeda apenas no Cassino, o que é bastante estratégico que isso aconteça porque demarca o local de tráfego do turista, o nível de dependência institucional porque acabo ficando depende apenas deste local porque não tenho segurança se outro espaço conseguirá me receber.

Percebo que aos poucos isso vai mundando quando vejo que algumas lojas já aceitam compras com real. A estratégia dos vendedores é guardar as notas brasileiras para trocar perto da época da Copa do Mundo. E no centro de Montevideo é muito fácil encontrar propagandas que prometem ensinar o português em quatro meses – pausa dramática.

 Pensando num curso de portunhol em quatro meses. Vai dar mais certo.